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Autor: Leo

Igualdade vs Justiça

Igualdade vs Justiça

Ah tempos roda na internet essa imagem metafórica que compara igualdade com justiça:

Ignorando o fato que os três sujeitos estão burlando o sistema, a ilustração critica o sistema igualitário que não resolve o problema de todos e mostra o segundo quadro com justiça onde todos atingem os mesmos resultados.

Eu fiz minha própria versão da imagem:

igualdade vs justiça

Mas esse sistema é realmente justo?

Vamos fazer um exercício mental. Vamos supor que cada uma dessas pessoas precise trabalhar um ano inteiro para ganhar uma caixa. Então o governo “impostamente” e legalmente tira a caixa de quem não precisa e dá para quem precisa mais.

É interessante até a pessoa que não ganha nada não quiser mais trabalhar a troco de nada.

nao-tao-justo

O cidadão não vai sentir falta da caixa de qualquer maneira, mas o Estado não terá de onde tirar a caixa para dar para o mais necessitado.

O alto fica feliz, o médio fica feliz e o baixo é injustiçado mesmo tendo trabalhado tanto.

Os críticos, pessoas engajadas e de opinião culpam a classe média por estar feliz, os chamam de alienados e diz que a culpa não é dos políticos.

Pior cenário

No pior cenário do caso acima, o mais baixo não aguenta e comete um crime. Assassina o média e toma sua caixa:

pior-cenario

A família, amigos e a mídia chora.

O pessoal dos direitos humanos vem e dizem que a culpa é da sociedade.

A mãe clama por justiça.

Os críticos, pessoas engajadas e de opinião culpam a classe média.

Melhores soluções

Para não ficar só criticando, duas boas soluções:

melhores-solucoes

A primeira é a da liberdade: um mundo sem barreiras que ninguém precise de caixa para ser feliz. Um tanto quanto utópico.

O segundo é não sei o nome, mas é um tipo de comunitarismo. É bem parecido com o “justiça”, exceto que o alto não fica sem nada. Ele tem um pouco que é compartilhado com o mais baixo.

Curiosidade

A conclusão mais curiosa é que ao mesmo tempo que a discriminação – o ato de diferenciar pessoas – é dado como crime amoral ilegal antiético desumano e tudo de ruim, ao mesmo tempo vemos que o igualitarismo não resolve tudo.

Pode ser que eu esse tema seja repetido aqui no Aleatorica, mas eu não lembro de ter publicado, pelo menos os desenhos são novos.

Tesouro sob nossos pés

Tesouro sob nossos pés

Depois das recentes notícias pulbicas nesse início de 2015: Bill Gates investe em máquina que extrai água potável de fezes humanas e Esgoto de cidades pode ter ouro e milhões de dólares em metais, me pergunto sobre a antiga notícia de 2010: Carne feita de fezes humanas, que foi considerada como um hoax – uma notícia falta da internet com origens em lendas urbanas desde 1990 – Por que não?

Atendimento ao cliente Sony – post 1

Atendimento ao cliente Sony – post 1

Recentemente comprei um DLC na Sony para complementar um jogo.

Você que leu meus dois últimos posts deve estar pensando que sou um consumista, mas lembrem que os outros dois produtos que adquiri recentemente foram para meu trabalho, apenas esse para entretenimento.

O caso é que o DLC não funcionou.

Conversando com o bom atendimento da Sony Internacional entendi o porque de não funcionar.

Quando eu comprei o meu videogame, o Brasil ainda não fabricava jogos. Todos eram importados.

Ao contrário dos DVDs, o Blueray, apesar de ter a informação de região, não tem bloqueio por região. Então sem problemas.

Porém os DLCs têm sim problemas de regiões.

Os DLCs foram compradas na Playstation Store Brasileira e a mídia física do jogo original veio do Reino Unido.

Pior que a falta de compatibilidade são duas coisas:

– Não tem nenhum informação sobre isso na página de compra.

– Não tenho opção de adquirir o DLC para meu jogo internacional já que a Sony só permite cadastro na loja brasileira.

Para conseguir jogar o jogo com DLC forçaria ou a comprar o jogo original versão Brasil para utilizar a DLC nacional ou a me mudar para a Inglaterra para ter um endereço físico no país e criar uma conta na Playstation Store de lá para adquirir as DLCs corretas.

Dia 29 de junho, sábado, entrei em contato via mensagem pelo atendimento da Sony do Brasil para requirir um reembolso. O prazo de resposta é de 2 dias úteis, portanto ainda estamos dentro do prazo de sem resposta.

 

Atendimento ao cliente MegaMamute – post 1

Atendimento ao cliente MegaMamute – post 1

Como trabalho com gráficos no computador, achei que era hora de adquirir uma placa de vídeo já que a minha é uma on-board.

Decidi comprar uma Nvidia Geforce GTX660, com ótimo custo benefício, na loja Mega Mamute que está com preço mais em conta que outras lojas.

A Nvidia Geforce está fazendo uma promoção com diversos parceiros de venda que dá o jogo Watch Dogs na compra de uma placa GTX 660 ou superior.

Veja banner:

banner-watch-dogs-desc

 

No site do Mega Mamute até existe uma landpage com mais informações:

http://arquivo.megamamute.com.br/landing_page/nvidia/landingpage-watch-dogs.html

Veja mesma página em pdf:  watch-dogs-2014-lp

Veja mesma página em png: watch-dogs-2014-png

O caso é que já recebi o produto, porém não recebi o jogo ou um link de download do jogo e nem instruções.

Pesquisando a promoção em sites concorrentes, encontrei no Kabum a mesma landpage da promoção: http://www.kabum.com.br/nvidia/index.html

Na versão de página do Kabum, existem instruções claras de como proceder para resgatar o jogo nas letras miúdas. Veja imagem destacada.

Na página do Mega Mamute não.

Sábado, dia 29 de junho, enviei uma mensagem para o Mega Mamute através da página de atendimento do site. Por enquanto não fui respondido.

Manterei vocês atualizados.

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento ao cliente D-Link – post 1

Atendimento ao cliente D-Link – post 1

Recentemente fiquei sabendo que os IPv4 no Brasil estão para acabar. Como vi que meu roteador wireless não dava suporte aos IPv6, resolvi comprar um novo roteador.

O curioso é que apesar disso fazer diversos equipamentos pararem de funcionar, existe muita pouca informação sobre isso.

Procurando por um roteador que me antedesse, os sites mal falam se ele funcionam no IPv4 ou IPv6.

Pesquisando bastante, encontrei o DIR-610N da D-link. Com apenas 150mbps tem um custo benefício aceitável para minhas necessidades.

 

Vejam prinscreens do website:

Aba de especificações do DIR-610N
Aba de especificações do DIR-610N
Página principal do DIR-610N no site oficial da D-link
Página principal do DIR-610N no site oficial da D-link

 

 

Ou veja no site oficial: http://www.dlink.com.br/site/index.php/produtos/detalhes/dir-610n.html

Ou um pdf tirado direto da página:  DIR-610N – D-Link

Longe desse post ser um propaganda, um intuito dessa publicação será explicado agora.

Não consigo encontrar nenhuma configuração sobre IPv6 no painel de controle do roteador.

Acredito que fui vítima de propaganda enganosa, mas irei mandar um email para o suporte da D-link questionando sobre o recurso, porque posso estar não sabendo encontrá-lo no painel.

Os manterei atualizado sobre o atendimento ao consumidor da empresa.

Segue printscreen do email enviado educadamente para a empresa:

email-dlink

Análise de Propaganda: Fiat e Caixa

Análise de Propaganda: Fiat e Caixa

FIAT

A nova propaganda da Fiat com o garoto propaganda mais incontestável da atualidade, Ronalducho, usa a ideia de exibir o ex-ídolo da seleção brasileira de futebol apenas por 10% do propaganda para mostrar como 10% da entrada do carro é pouco.

Vejam abaixo.

[youtube=”https://www.youtube.com/watch?v=JPZhrRpKsIc”]

Vejam que antes do início do comercial, são apresentados os créditos do comercial. O comercial mesmo começa aos 7 segundos e termina aos 37. Um comercial padrão de 30 segundos.

Ronaldo aparece aos 7 segundos e continua sendo exibido enquanto o explica a piada do comercial até os 17 segundos da marcação do youtube, totalizando 10 segundos exibindo o Ronaldo. Esses 10 segundos em um total de 30 são 33,33%. É muito além dos 10% anunciado na propaganda, que seriam apenas 3 segundos.

Fica claro a disparidade entre o que essas grandes corporações falam e o que realmente fazem.

Não se deixem enganar por aqueles que dizem saber o jeito mais rápido de conseguir alguma coisa. Há sempre dente de coelho.

Quer saber mais sobre verdades inconvenientes sobre carros 0km? Leia um das nossas mais famosas publicações.

Caixa

A nova propaganda da Caixa:

[youtube=”https://www.youtube.com/watch?v=1UeV1rXA918″]

Os absurdos são tantos que é difícil saber por onde começar, mas vamos lá.

A personagem do comercial é um dos piores seres da sociedade. E não é o malandro que quer se dar bem em cima dos outros como acostumamos a identificar nessa coluna. Acompanhem:

O garoto corre o mundo adquirindo todas as camisas de clubes de futebol patrocinadas pela Caixa.

Não são poucas. São pelo menos 6.

Tudo isso para destruir todas e fazer uma roupa mais retalhada que a do Chaves.  E a do Chaves pelo menos agrada a quem olhar.

Vamos tentar encontrar uma razão para isso:

O garoto não fez isso pelo dinheiro. Porque se ele pode percorrer tanta distância mesmo que ele tenha encontrado todos os times na mesma cidade, ele tem no mínimo muito tempo disponível. Logo ele não precisa de dinheiro. Vemos que ele nunca está suado, cansado ou com fome. Alguém deve levar ele aos lugares, como um motorista. Não é alguém mais próximo como pai ou mãe porque estaria mais presente nas cenas.

O garoto não fez isso por amor ao clube. Nenhum torcedor de um desses clubes retalharia a camisa do seu time do coração para unir com de clubes de outros estados e até rivais.

O garoto não fez isso para colecionar. Como dito anteriormente, ele retalha todas as camisas.

O garoto não fez isso pelo coletivo. Nenhum dos outros garotinhos jogando bola no final do vídeo tem uma camisa de time de futebol para jogar. E em vez dele distribuir camisas para seus colegas, ele prefere estragar todas.

O garoto não fez isso pelo futebol. Se ele gostasse ele não teria aparecido no meio da partida. Ele nem chega a tocar na bola. Ele só vai lá para chamar atenção e paralisar a partida.

O garoto não fez isso pela Caixa. Apesar de ser o único elemento em comum entre todas as camisetas, a única coisa que não tem na versão final de camiseta é o próprio patrocínio da Caixa. A sala de criação da agência deve ter gerado alguma ideia parecida com: “Que tal uma propaganda em que alguém junta todas as camisas patrocinadas por nós e cria uma única com todas elas, removendo a nossa marca da versão final’.

Enfim, o garoto fez tudo a troco de nada.

A Caixa exalta aqui o egoísmo, o individualismo, a ostentação, a superfluidade, a despreocupação com o próximo, a burguesia, o acúmulo desnecessário de bens.

Nenhum dos coleguinhas acompanham o garoto na jornada porque todos precisam estudar e praticar esportes para tentar conquistar melhores condições de vida. Ninguém tem dinheiro e tempo para ficar percorrendo quilômetros acumulando camisas que não precisam. Mas o burguês com a vida ganha pode. O que não seria grande problema, se depois, não satisfeito, ele fosse no meio de uma partida para se mostrar, para ostentar, dizer que pode mais que todo mundo ali. E os pobres garotos, sabendo que um dia o garoto bem de vida vai assumir a empresa do pai ou conseguir um cargo de importância, pode ser uma boa influência no futuro e acabam por cumprimentar o garoto pelo feito idiota dele. Acabam se vendendo.

A propaganda é o retrato da face ruim do capitalismo.

 

 

Questão da OBMEP sobre a data da prova

Questão da OBMEP sobre a data da prova

Circula na internet uma foto de uma questão de uma prova que acredito que seja do OBMEP, por conter o endereço do facebook /obmep.

OBMEP é a Olimpíada brasileira de matemática em escola pública.

Sendo prova oficial com direito a marca do governo federal, normalmente iríamos apontar a falta de moral e integridade do participante usar um dispositivo eletrônico claramente proibido durante o exame, mas não vamos discorrer sobre esse assunto nessa publicação.

Algumas pessoas tiveram dificuldade de entender a questão, como aparentemente meu próprio bom amigo que publicou no facebook.

Questão Enem Patrícia

No começo confesso que divaguei. Não pela pergunta, mas pela vibe de procurar algo errado na questão. Depois do caso da prova perguntar letra de Funk, achei que talvez o Enem estivesse querendo que os participantes da prova soubessem o calendário.

Mas lendo com calma, achei a resposta: Patrícia, como alguns comentaristas do facebook responderam corretamente.

Mas o que mais me chamou a atenção não foi a dificuldade da questão, mas sim como a maioria das pessoas que comentaram a reposta certa usaram a lógica errada.

Veja:

questao-data-prova-patricia4

questao-data-prova-patricia3

questao-data-prova-patricia2

questao-data-prova-patricia1

Só que não. Aparecer em maior frequência que outras respostas não faz dela a mais correta.

Obviamente não li todos os comentários, mas não vi alguém comentando a solução correta. Um passo-a-passo seria:

1) A questão afirma que uma garota acertou as 3 informações e as outras pelo menos uma.

2) Peguemos a primeira garota, Andrea, que disse que a prova seria agosto, dia 16, segunda-feira. Ela não pode ser a certa, porque nesse caso, a Fernanda que disse: setembro, dia 17, terça-feira, não teria acertado nenhuma informação, o que não pode ocorrer. Todas tem que acertar pelo menos uma. A recíproca é verdadeira, a Fernanda não pode estar certa porque a Andrea não teria acertado nada.

3)  Peguemos a segunda garota, Daniela. Como no caso acima, Se a Daniela estivesse acertado as 3 informações, a Tatiane teria errado as 3. Então as duas foram eliminadas.

4) Sobrou somente a Patrícia. Vamos conferir. Em relação a Patrícia, a Andrea acertou: agosto e segunda-feira; Daniela acertou: agosto; Fernanda acertou: dia 17; Tatiane acertou: dia 17 e segunda-feira.

Fim.


 

Então os mais liberais poderiam perguntar agora “Mas o outro raciocínio deu certo e time que ganha não se mexe”.

Veja no exercício abaixo com as mesmas regras da questão da prova:

+----+-------+-------+-------+
|    | Col 1 | Col 2 | Col 3 |
+----+-------+-------+-------+
| a) | A     | B     | C     |
| b) | B     | A     | B     |
| c) | D     | A     | C     |
| d) | A     | A     | A     |
| e) | A     | D     | B     |
+----+-------+-------+-------+

Qual é a linha está certa?

Bom, na lógica do maior número de repetições:

Col 1 tem 3 vezes a letra A. Então A é o certo.

Col 2 tem 3 vezes a letra A. Então A é o certo.

Col 3 tem 2 vezes a letra B e 2 vezes a letra C. Ops! Nenhum é maioria.

Mesmo assim a reposta só poderia ser a que A-A-B ou A-A-C. ‘Ops’ novamente! Nenhuma linha tem essa configuração.

Na lógica correta:

Linha a) A-B-C não combina com b) B-A-B então nenhuma das linhas podem ser as 100% verdadeiras.

Linha c) D-A-C não combina com e) A-D-B.

Sobrou a linha d) A-A-A. Todas as outras linhas tem o A pelo menos uma vez.

Observe como a reposta certa A na terceira coluna só ocorre 1 vez e apesar de ser a que menos ocorre ainda sim ela é a correta.

E isso também prova por A+B+C+D que a maioria nem sempre está certa.


 

Um rapazinho do facebook mais revoltado comentou:

questao-data-prova-patricia-revolta

Espero que ele esteja certo. Se esses jovens serão nossos futuros profissionais, não quero morar no segundo prédio do engenheiro que acertou a primeira obra por sorte ou ser o segundo paciente de cirurgia cardíaca do médico que acertou a primeira operação por sorte. E antes de começar a discutir sobre a qualidade do ensino público, quero lembrar que retirei as respostas do facebook, onde todos podem comentar e não respostas dos participantes da prova.

Para finalizar, vou parafrasear um grande heróis do povo:

Por isso não se enganem com aqueles que dizem que conhecem o jeito rápido. Sempre há dente de coelho!

Análise de Propaganda: Sky e Tim

Análise de Propaganda: Sky e Tim

Em mais uma demonstração de originalidade propagandista, duas propagandas veiculadas no mesmo período conseguem usar a mesma ideia:

SKY – Clara Cópia – SKY, HDTV é isso – TV por assinatura

TIM – Aparências – Ah, quer me imitar? com Daniele Suzuki

Para você que não assistiu, as duas propagandas exibem um ator imitando o(s) garoto(a)(s) propaganda oficial(is), fazendo referência a ‘não confie nas cópias’.

Sim! É irônico que eles ataquem os concorrentes que os copiam, enquanto em suas propagandas, um fez clara cópia da outra e a outra quis imitar a uma.

Análise parcial sobre o público moderno

Análise parcial sobre o público moderno

Atendo um cliente que há 2 anos criou um produto novo no mercado.

Por ser um produto novo, foi considerado vital criar instruções passo a passo de como usar o produto. Foram diversos dias estudando para reduzir as instruções em apenas quatro passos simples, já que entendemos que muitos passos ou muito texto iria afastar as pessoas de ler e iriam assumir que o uso do produto é difícil.

Durante esses dois anos, meu cliente descobriu que uma parcela razoável de seus clientes tinham mais eficiência adaptando domesticamente uma das peças do seu produto e decidiu incorporar essa nova peça ao conjunto. Dessa novidade surgiu um segundo métodos passo a passo. O cliente viu a necessidade de atualizar seu panfleto com o novo  método alternativo.

Aprendi nos meus anos acadêmicos que todo design é a solução de um problema. Nesse caso, o problema surgiu quando as novas informações deveriam dividir o espaço de uma folha A5 com outras que já constavam no primeiro modelo de panfleto. O formato A5 é metade de uma folha comum A4, que é o tamanho que costumamos usar na impressora (297×210 mm). O espaço que estava apertado precisava se espremer ainda mais.

Um detalhe interessante do caso é que o passo 1 e o passo 4  eram exatamente os mesmos entre os dois métodos. Para criar uma solução que economizasse  o espaço e evitasse repetição de informação, ousei criar o seguinte esquema:

estudo-de-caso-1

O produto não ficou exatamente assim, mas a ideia geral é essa.

Após alguns dias, o cliente enviou o panfleto em formato digital para alguns clientes e retornou dizendo ‘Por incrível que pareça, algumas pessoas não estão entendendo o esquema, vamos adicionar a palavra “início”.’

Eu não achei um caso incrível.

Também desenvolvo para web e a maioria dos projetos são de prazo muito curto, procuro utilizar ideias mais simples para garantir que o usuário entenda tudo prontamente. Na internet existe uma máxima que diz ‘Quanto menos cliques, melhor’, que eu entendo como ‘não desperdice o tempo do usuário’.

No caso do panfleto, eu simplesmente aceitei a sugestão do meu cliente e adicionei a palavra “Início” no local adequado.

E talvez você tenha achado a necessidade de adicionar a palavra ‘Início’ incrível e tenha se perguntado ‘Como é possível que alguém não tenha visto?”

Conversava umas semanas atrás com um amigo que trabalha com geração de conteúdo e ele comentava sobre a nova doença, síndrome ou transtorno que especialistas dizem ter identificado. É uma nova doença como déficit de atenção e hiperatividade. Não lembro o nome exato, mas era algo relacionado ao excesso de ansiedade de informação que as pessoas tem por informação nova. Isso explicaria porque nossos jovens, e não tão jovens ,estão no celular a todo o momento. Eles estão conversando no bar e com mais 10 amigos virtualmente, vendo vídeos de gatinhos, comprando passagem de avião, vendo o placar do jogo e os comentários sobre a novela tudo ao mesmo tempo.

Também lembrei que li uma vez sobre uma agência de notícias especializada em entregar a informação para os assinantes em mensagens mais curtas possíveis. Encontraram um nicho de notícia para aquele que gosta de estar atualizado mas não tem tempo de ler a matéria no jornal ou no portal da internet.

Isso explicaria porque as vezes os usuários não leem coisas simples. Talvez o tal do transtorno realmente exista.

E na verdade, me identifico com isso e talvez até tenha escolhido minha profissão por isso. Duas das coisas que mais gosto no design gráfico são o design de interface e o ‘infografismo’, que se bem feito, tornam o complicado simples de entender. Num mundo utópico sem leis, sem advogados e sem propagandas, imagino que o designer gráfico ainda existiria para criar interfaces e apresentar informações da forma mais fácil para as pessoas.

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Outra evidência da síndrome é uma matéria que saiu na Smashing Magazine analisando tutoriais de apps (em inglês). Os dispositivos móveis não tem o botão direito do mouse ou a tecla comando do Mac, mas por outro lado tem o gestures que abrem uma gama de novas interatividades e que não estão bem fundamentadas. Cada desenvolvedor tenta criar seu novo padrão de gestures e que obriga o usuário a aprender a mexer em cada um desses programas. Como a matéria aponta, os usuários não leem os tutoriais a não ser que seja o estilo  jogo/ troféu/achievement.

Penso se  um tutorial, que já é uma forma mais interativa de ensinar, realmente precisa se transformar em jogo de recompensa.

Um dos editoriais mais conceituados na área nos diz que para ter sucesso precisamos transformar lição em brincadeira.

Comecei a pensar qual é o limite de seguir as regras da comunidade web?

Existe uma variação da regra ‘Quanto menos clique, melhor!”  que diz que o usuário tem que dar no máximo 3 cliques para chegar em um conteúdo. Os webdesigners com medo de quebrar a regra, começaram a criar menus gigantes de 100 itens. Será que o usuário prefere dar 4 cliques ou ficar 1 minuto lendo um menu para dar 1 clique a menos?

Esse zêlo com o consumidor, me faz lembrar do manual de instruções de produto eletrônico. Na seção de problemas frequentes sempre tem como primeiro item ‘Verifique se o produto está ligado na tomada!’. Certamente foi porque muitos casos ocorreram.

Conheço um caso de empresa que fabrica plásticos sanitários como tampas de privadas, caixas de descarga, ralos e calhas que lançou uma grelha anti baratas para calhas. Eles foram processados e perderam porque um dos consumidores reclamou que a grelha derreteu e estragou o fogão quando ela foi usá-la para preparar um filé. O produto chama ‘grelha anti baratas’. O juiz obrigou a empresa, além de pagar danos materiais, a escrever na embalagem algo como ‘não indicado para uso culinário’.

E se formos nos preocupar com tudo que o cliente posse se confundir, o meu panfleto teria que ser algo assim:

 

estudo-de-caso-2

Eu sei que o panfleto oficial não é nenhum grande obra prima do design, mesmo porque não tive tempo hábil parece pensar em outras soluções, mas a existência de um produto com duas opções parece confundir o cliente.

É um paradoxo. Se o produto tem muita informação, confunde. Se não tem, confunde também.

Seria um paradoxo mesmo ou a criação de produtos ‘plug and play’, ‘pronto para usar’ ou ‘pronto em 3 minutos’ que educou o consumidor acostumados com as facilidades contemporâneas esquecer de ligar o aparelho na tomada ou desistir de ler uma simples instrução?

E pode até parecer que quero transferir a minha responsabilidade, mas num mercado que cobra serviços cada vez mais rápido, sem tempo para estudar, reestudar, testar e inovar, parece que a melhor solução seria criar dois produtos diferentes. Isso deve ajudar a explicar porque tem tanta segmentação nas prateleiras do supermercado.

E por isso também que inovação em design é raro do meu ponto de vista. O último caso genial  que me lembro não é exatamente gráfico, mas é de interface. Foi o iPod com sua roda mágica que faz tudo. Lançado em 2002. Já se passaram 12 anos. Antes disso foi o Windows.

Uma outra bobagem que lembrei é o menu de armas dos jogos de videogame como Assassins Creed II, Red Dead Rendemption, Gta 5 e outros. Não sei dizer quem foi que criou nem quando, mas hoje você segura um botão e seleciona a arma com outro botão de forma muito rápida. Antigamente tinha que ficar apertando um botão repetidamente que exibia as armas disponíveis uma a uma num sistema de rodízio. Se passasse a arma sem querer, já era,  aperta um monte de vez de novo até chegar na arma. Outro método antigo tinha que apertar botão, entrar no menu, navegar no inventário até selecionar o item e confirmar.

WeaponSelect

Essa inovação foi muito prática, mas por mais que eu seja fã de videogames, não é nenhuma grande feito para a humanidade, ao contrário do scroll wheel do iPod que eu diria que é a base intuitiva dos gestures modernos e vai influenciar bastante nas novas tecnologias de sense motion e gadgets vestíveis.

Como comentei e deixei subtendido ao longo do texto, gosto muito de exercer minha profissão, apesar de desvalorizada. Vejo nas facilidades que o design traz o essencial profissão; também defendo fielmente que o design é feito 100% focado para o público e assumo que tenho grandes sintomas a tal da síndrome da ansiedade da informação.

Mas minha grande pergunta é: Até onde devemos infantilizar da informação?

Até onde é aceitável que deve-se alertar o leitor que o Passo 1 é o início?

Até onde é aceitável que deve-se alertar que grelha anti barata de plástico não deve ser usada para grelhar filé mignon na chama do fogão?

Isso ainda se soma com esse adestramento por esses troféus/achievements.  A charge que li: “O gigante acordou, mas é muito obediente.” se torna plenamente verdadeira.

Nossas crianças estão nascendo  mais inteligentes ou elas estão nascendo aprendendo a  apertar um único botão? Nascem sabendo jogar angrybirds e poker no iPad, mas não sabem puxar um estilingue e embaralhar cartas, que não são importantes em si, mas acredito que crescer aprendendo coisas diferentes a todo momento é estimulante para o desenvolvimento.

Deveríamos nós designers e desenvolvedores de sistema exigir mais dos nossos clientes e usuários ou nos preocupar apenas em atingir um público maior e vender mais e que esqueçamos de deixar uma herança cultural e intelectual?

Ou estou pensando pelo caminho errado? Tornar tarefas difíceis cada vez mais simples é 100% bom para todos. Nos dá mais tempo para fazer outras coisas como adquirir doenças modernas, trabalhar mais, pagar mais impostos, se frustrar com desafios e perder o controle?

Você, profissional e amante de psicologia, o que acha?

Estou errado em deduzir que o sistema de recompensa sem esforço gera indivíduos que desistem facilmente, que não entendem a dificuldade de conquistas reais, que não sabem lidar com frustração, raiva e autocontrole?

Estou alucinando em pensar que a hipersimplificação do entender e do fazer gera indivíduos com dificuldade de raciocinar sobre coisas que necessitam um pouco mais de instrução?

Até onde hipersimplificação é benéfica ou prejudicial a formação do indivíduo?

Só não vale dizer que ‘não pode generalizar’.