Análise de Propaganda: Fiat e Caixa

Análise de Propaganda: Fiat e Caixa

FIAT

A nova propaganda da Fiat com o garoto propaganda mais incontestável da atualidade, Ronalducho, usa a ideia de exibir o ex-ídolo da seleção brasileira de futebol apenas por 10% do propaganda para mostrar como 10% da entrada do carro é pouco.

Vejam abaixo.

[youtube=”https://www.youtube.com/watch?v=JPZhrRpKsIc”]

Vejam que antes do início do comercial, são apresentados os créditos do comercial. O comercial mesmo começa aos 7 segundos e termina aos 37. Um comercial padrão de 30 segundos.

Ronaldo aparece aos 7 segundos e continua sendo exibido enquanto o explica a piada do comercial até os 17 segundos da marcação do youtube, totalizando 10 segundos exibindo o Ronaldo. Esses 10 segundos em um total de 30 são 33,33%. É muito além dos 10% anunciado na propaganda, que seriam apenas 3 segundos.

Fica claro a disparidade entre o que essas grandes corporações falam e o que realmente fazem.

Não se deixem enganar por aqueles que dizem saber o jeito mais rápido de conseguir alguma coisa. Há sempre dente de coelho.

Quer saber mais sobre verdades inconvenientes sobre carros 0km? Leia um das nossas mais famosas publicações.

Caixa

A nova propaganda da Caixa:

[youtube=”https://www.youtube.com/watch?v=1UeV1rXA918″]

Os absurdos são tantos que é difícil saber por onde começar, mas vamos lá.

A personagem do comercial é um dos piores seres da sociedade. E não é o malandro que quer se dar bem em cima dos outros como acostumamos a identificar nessa coluna. Acompanhem:

O garoto corre o mundo adquirindo todas as camisas de clubes de futebol patrocinadas pela Caixa.

Não são poucas. São pelo menos 6.

Tudo isso para destruir todas e fazer uma roupa mais retalhada que a do Chaves.  E a do Chaves pelo menos agrada a quem olhar.

Vamos tentar encontrar uma razão para isso:

O garoto não fez isso pelo dinheiro. Porque se ele pode percorrer tanta distância mesmo que ele tenha encontrado todos os times na mesma cidade, ele tem no mínimo muito tempo disponível. Logo ele não precisa de dinheiro. Vemos que ele nunca está suado, cansado ou com fome. Alguém deve levar ele aos lugares, como um motorista. Não é alguém mais próximo como pai ou mãe porque estaria mais presente nas cenas.

O garoto não fez isso por amor ao clube. Nenhum torcedor de um desses clubes retalharia a camisa do seu time do coração para unir com de clubes de outros estados e até rivais.

O garoto não fez isso para colecionar. Como dito anteriormente, ele retalha todas as camisas.

O garoto não fez isso pelo coletivo. Nenhum dos outros garotinhos jogando bola no final do vídeo tem uma camisa de time de futebol para jogar. E em vez dele distribuir camisas para seus colegas, ele prefere estragar todas.

O garoto não fez isso pelo futebol. Se ele gostasse ele não teria aparecido no meio da partida. Ele nem chega a tocar na bola. Ele só vai lá para chamar atenção e paralisar a partida.

O garoto não fez isso pela Caixa. Apesar de ser o único elemento em comum entre todas as camisetas, a única coisa que não tem na versão final de camiseta é o próprio patrocínio da Caixa. A sala de criação da agência deve ter gerado alguma ideia parecida com: “Que tal uma propaganda em que alguém junta todas as camisas patrocinadas por nós e cria uma única com todas elas, removendo a nossa marca da versão final’.

Enfim, o garoto fez tudo a troco de nada.

A Caixa exalta aqui o egoísmo, o individualismo, a ostentação, a superfluidade, a despreocupação com o próximo, a burguesia, o acúmulo desnecessário de bens.

Nenhum dos coleguinhas acompanham o garoto na jornada porque todos precisam estudar e praticar esportes para tentar conquistar melhores condições de vida. Ninguém tem dinheiro e tempo para ficar percorrendo quilômetros acumulando camisas que não precisam. Mas o burguês com a vida ganha pode. O que não seria grande problema, se depois, não satisfeito, ele fosse no meio de uma partida para se mostrar, para ostentar, dizer que pode mais que todo mundo ali. E os pobres garotos, sabendo que um dia o garoto bem de vida vai assumir a empresa do pai ou conseguir um cargo de importância, pode ser uma boa influência no futuro e acabam por cumprimentar o garoto pelo feito idiota dele. Acabam se vendendo.

A propaganda é o retrato da face ruim do capitalismo.

 

 

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