Sobre o aumento nas tarifas do transporte público e além

Sobre o aumento nas tarifas do transporte público e além

Terça feira, dia 11 de junho, houve uma manifestação em São Paulo devido ao aumento na tarifa do transporte coletivo. O aumento e as manifestações tem ocorrido no país inteiro.

Segundo o portal Terra, o valor tem sido sempre maior do que a simples correção da inflação.

Evolução da tarifa de transporte em São Paulo   Terra

Segundo a reportagem, o preço da passagem do ônibus e metrô hoje que era de R$ 0,50 em 1994, deveriam custar hoje respectivamente R$ 2,16 e R$ 2,59.

E aparentemente, essa margem não é revertida para o trabalhador das companhias. Volta e meia esses funcionários entram em greve, como ocorre hoje mesmo. Algumas linhas da CPTM estão em greve.

Em alguns círculos sociais, muito se discutiu sobre o a manifestação de terça. Primeiro foi sobre o tratamento que a mídia dava ao caso. Se esforçava em dar mais destaque aos atos de violência e vandalismo de alguns protestantes do que na causa da manifestação. Algo que pode ser melhor entendido por essa charge de Marilungo:

Movimentos_sociais_Charge_marilungo_Via_Colectivo

Aparentemente essa reclamação da mídia era legítima e deu certo. Ontem mesmo o UOL publicou uma reportagem que demonstra melhor o lado ruim do aumento do transporte público. O cálculo é simples:

“O trabalhador que recebe um salário mínimo do Estado de São Paulo (um pouco mais alto do que o nacional: R$ 678) –R$ 755– e utiliza um ônibus e um metrô para ir e um ônibus e um metrô para retornar do trabalho terá gasto, ao final do mês, R$ 200, mais de 26% do total de sua renda.”

Diz a reportagem.

E talvez por conta disso,  houve gente que reclamou da manifestação.  O argumento era que tudo isso era coisa de gente violenta e desocupado.

E por conta disso houve quem reclamou de quem reclamou das manifestações. O argumento era sobre a hipocrisia de chamar o brasileiro de acomodado por não lutar por seus direitos, achar lindo a luta pelos direitos em outros países e, quando finalmente uma dessas manifestações voltam a ocorrer no Brasil, criticar os manifestantes por isso.

Mas ainda teve mais. A manifestação de terça interrompeu umas das mais importantes rotas da cidade. Muita gente reclamou do trânsito. O argumento era que eles não tinham nada a ver com isso e a manifestação impedia o direito de ir e vir dele.

Segundo diversos portais, o próprio governador afirmou que “Interromper trânsito é ‘caso de polícia'”

“Uma coisa é movimento, que tem que ser respeitado, ouvido, dialogado (sic). Isso é normal e é o nosso dever fazê-lo”, disse, na saída de uma reunião com empresários franceses, nesta manhã. “Outra coisa é vandalismo: você interromper artérias importantes da cidade, tirar o direito de ir e vir das pessoas, depredar o patrimônio público, que é de todos. Isso não é possível. Aí é caso de polícia, e a polícia tem o dever de garantir a segurança das pessoas.”

Como mostra a reportagem do Estadão.

Teve gente que ficou tão irritada…

…que acabou perdendo emprego. Segundo a Folha, Após incitar violência em ato, promotor será desligado do Mackenzie. O que mais chama atenção aqui é a profissão e instrução da pessoa.

E o que mais tem de interessante nessa história?  Só para nos re-situarmos na linha do tempo, terça foi dia da manifestação de parar o trânsito. quinta – hoje – é dia de greve de parte do transporte público. E ontem?

Ontem foi o terceiro maior congestionamento da história da cidade de São Paulo. Chama a atenação porque os dois maiores congestionamentos tiveram registros de fortes chuvas, pontos de alagamentos e acidentes. O de ontem não houve registros de chuva, nem acidentes graves. A culpa foi causada apenas pelo excesso de veículos, muito provavelmente motivada pelo dia dos namorados.

E aqui é que está a ironia.

Na terça, o motorista de carro particular reclamou que a manifestação o privou do direito de ir e vir e isso é criminoso, segundo o governador, e merecia ser dissolvida na borrachada, segundo o promotor.

Na quarta o motorista do carro particular privou outros motoristas de carro particular e usuários de transporte público de ir e vir. Portanto, o excesso de veículos particulares também deveria ser tratado como criminoso pelo governador e também deveria ter gente pedindo para o excesso de motorista ser dissolvido na base do cassetete.

Parece legítimo.

E hoje, quinta-feira, com a greve da CPTM não há rodízio, ou seja, mais crimes de privação de ir e vir irão ocorrer descaradamente no seio da nossa sociedade! Vergonha!

Atualização:  São Paulo já registrou recorde de trânsito hoje para o horário das 11h da manhã.

Que seja feita a justiça!

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